Quanto vale a OYO?

Finalmente saiu o prospecto com os dados do IPO do OYO, conheça como a gigante indiana está se posicionando em relação ao mercado.

Finalmente, depois de alguns meses de especulação,  saiu o prospecto preliminar de abertura de capital da OYO, empresa de hotelaria  fundada em 2013 na Índia, por um empreendedor, de apenas 19 anos na época, que tem a intenção de melhorar a distribuição e entrega de milhares de hotéis independentes em todo mundo.

Um pouco sobre o problema que a OYO tenta resolver

Para você entender, o tamanho do buraco e como funciona hoje a distribuição dos hotéis, em média os hotéis comissionam players como o Booking.com em 27% para que reserve seus quartos.

Quanto maior a rede hoteleira, melhor a negociação com as OTAs, portanto, os hotéis independentes ficam reféns dos grandes players de distribuição (além do Booking, tem Expedia e operadoras como CVC).

Logo, para os hotéis independentes, a OYO resolve o seguinte problema:

  • Fornece crédito para reformas (muitos estão com a corda no pescoço, e não conseguem sequer um real no banco);
  • Eleva o padrão de atendimento e serviço com treinamento contínuo, um modelo parecido com o de franquia;
  • Cuida e melhora a distribuição de canais, deixando ela mais inteligente e com mais poder de barganha perante grandes distribuidores, como Booking e Expedia.
  • Oferece plataforma de distribuição (channel manager) e PMS (Proprietary Management System) proprietários para hotéis que dificilmente teriam dinheiro para adquirir estes sistemas no mercado;

A equação natural da resolução dos problemas acima é: mais hóspedes, mais recorrência, menor vacância e consequentemente, mais receita para o hotel.

E a Oyo, como monetização, fica com uma parte deste ganho adicional realizado pelo hotel.

É um modelo totalmente “asset light”, já é a a rede com maior número de quartos disponíveis, sem ser dono de nenhum prédio.

Entre os investidores da gigante indiana, tem além do Softbank, maior acionista, a Microsoft e o Airbnb, um captable recheado de grandes nomes!

A chegada e a saída (rápida) da OYO no Brasil

Em 2019 a OYO entrou no Brasil, com capital intensivo, entregou salários da China para diversos executivos e profissionais e conseguiu virar mais de 500 hotéis em pouquíssimo tempo.

Tudo parecia ir bem, até chegar a pandemia, a demanda praticamente zerar e a startup começar a ter que realizar cortes globais em várias cidades, aqui no Brasil, eliminou quase todos os postos de trabalho, e organizou o suporte para os hoteleiros da sua marca apenas de forma remota, com profissionais da Índia.

Uma bela receita para insurgentes como a Voa Hotéis, empresa brazuca com modelo de negócios bem similar, conquistar mercado e crescer o market-share.

Pela característica do mercado, com alto volume de hotéis independentes, e juros altíssimos, a OYO tinha tudo para crescer no Brasil.

No entanto, a importância do Brasil hoje para a OYO é tão baixa, que nem menção relevante ela recebe no prospecto de abertura de capital da empresa.

Finalmente, o IPO da OYO

Depois de tanta especulação, finalmente a empresa publicou o prospecto de abertura de capital na bolsa indiana, justamente por lá estar grande parte da sua receita, atualmente India, Indonesia, Malaysia e Europa representa aproximadamente 90% da receita da companhia.

Vamos a alguns highlights sobre a companhia, listados publicamente:

Proposta única em toda jornada para o hoteleiro e para o cliente

A OYO se coloca como a única cadeia hoteleira que atua em toda a jornada do hotel:

  • Venda online;
  • Distribuição otimizada;
  • Revenue Manager;
  • Serviços de backoffice;
  • Serviços de quarto

E a única que atua ponta-a-ponta em toda a jornada do cliente, desde a escolha do Hotel, até programas de fidelidade.

Histórico de aumento de receita para o hotel, em relação aos outros hotéis de mesmo tamanho e padrão

A OYO informa que os hotéis que mudam de bandeira para sua marca, depois de 12 semanas na rede gera de 1.5X a 1.9X mais receita que os seus “similares” de tamanho e de padrão na Índia e na Indonésia, e 2.4x mais receita na Europa.

“…After 12 weeks of joining the OYO platform, OYO-powered hotel storefronts generated 1.5 to 1.9 times more revenue on average compared with the average revenue estimated at independent hotels of a similar size in India, Indonesia and Malaysia in 2019. In Europe, OYO-powered home storefronts earned an average of 2.4 times more revenue in 2019 compared with the average revenue estimated at an independently managed home in Europe in 2019”

Líderes em mobile travel no mercado asiático

Segundo a OYO, são líderes em downloas de aplicativo de travel no mercado asiático.

Alta recorrência e fidelidade

A OYO ainda se posiciona com um dos maiores players de fidelidade do mercado de turismo na Índia, com 9.2milhões de membros.

E 68% da receita segundo a empresa, acontece por clientes recorrentes

Tecnologia de ponta proprietária, para integrar hoteleiros e experiência do cliente

A proposta do OYO, segundo seu prospecto é entregar para o hoteleiro parceiro uma maior receita, melhor recorrência e margens melhores no final do mês, através de uso intensivo de tecnologia.

Para o cliente, uma experiência incrível de ponta-a-ponta.

Ainda sobre a “stack” de oferta da OYO

OYO entrega soluções proprietárias em todas as verticaias:  “revenue management”, “channel management”, pagamentos e customer review.

Quanto vale a OYO?

A receita da empresa é informada em rupia indiana, moeda oficial do país, mas fazendo a conversão, a receita em 2019 (pré-covid) chegou perto de  U$ 1B, se conseguir o valuation de U$12B, ela vai atingir 12X o múltiplo de receita.

Para fins de comparação, a Airbnbn vale atualmente U$ 105B, aproximadamente 25X sua receita anual.

Em relação a Airbnb, há uma certeza que é uma empresa que deve ser protagonista no turismo online nos próximos anos, já em relação a OYO, há uma série de incertezas sobre a startup indiana.

Só pelo fato de ter aberto capital na Índia e não em Nasdaq ou NY (a empresa sempre reportou dados econômicos em dólar) já sinaliza que é uma abertura de capital bem mais tímida.

Um dos maiores críticos ao OYO, é o professor Scott Galloway, um dos especialistas em tecnologia e digital mais respeitado e ouvido da atualidade (os livros dele são muito bons, recomendo).

Vale a pena acompanhar, se isto é o final da OYO, ou apenas o início de uma longa trajetória de protagonismo no setor.

Compartilhe esse conteúdo
Imagem padrão
Marcelo Linhares

Marcelo Linhares é um dos fundadores da Onfly, possui mais de 10 anos de experiência em marketing digital e varejo omnichannel, nos últimos 2 anos estudou o mercado de viagens e percebeu que as agências tradicionais trabalhavam da mesma forma há 20 anos, e resolveu criar a Onfly para transformar este mercado. Ele está sempre disponível no e-mail marcelo@onfly.com.br

Deixar uma resposta