A Google também economizou US$1B com a redução de viagens e o home office, mas perdeu quase US$10B em receita! Entenda!

A Google anunciou que economizou mais de U$1B em 2020 com a redução de viagens, reembolsos e despesas de escritório, mas esta economia está longe de superar as perdas da companhia com a Covid-19, entenda!

Contamos aqui ano passado, como a Amazon economizou US$ 1B com viagens e despesas, por causa das restrições causadas pela Covid-19.

Recentemente, na apresentação dos resultados do primeiro trimestre, a Google também reportou uma economia de US$268M com despesas de viagens e reembolsos, e esse valor anualizado ultrapassa US$1B também.

O interesante é que nessa redução também estão inclusas as despesas de escritório, que são bem conhecidas pela estrutura que a Google tem em seus escritórios, com lanches, restaurantes e eventos corporativos.

A previsão da empresa é de retornar para o escritório no final do ano, em um modelo totalmente híbrido, logo, a gigante da Califórnia não tem previsão de fechar escritórios em nenhum lugar do planeta, pelo contrário, a previsão é que os investimentos em “real-state” continuem a todo vapor.

A perda da Google com a Covid-19 foi muito maior que os US$1B economizados

Diferentemente da Amazon, a Google perdeu muito dinheiro com a Covid-19. O ano passado foi o único ano de queda de receita da empresa na divisão de ads em toda sua história, com uma baixa de 5,3%.

O motivo?

A receita com anúncios das OTAs, como Expedia e Booking secaram em 2020, e estes dois players juntos costumam anunciar aproximadamente US$10B em marketing digital por ano, e boa parte desta fatia, aproximadamente 80%, vai diretamente para o caixa da Google.

Guto Rocha, da Letsbook, costuma falar que o player que mais ganha com o turismo na Internet hoje é o Google, pois 100% das OTAs, das companhias aéreas e dos hotéis que desejam vender direto,  investem tubos de dinheiro para se manterem no topo do buscador.

A crise da Covid-19 provou isto, revelou o quanto o mercado de turismo online ainda depende do Google.

A propósito, embora tenha avançado muito em sua plataforma de viagens (hoje sem dúvida a melhor busca de aéreo na internet é do Google Flights e de hotel, do Google Hotels), a Google vive um trade-off nesta vertical. Se investir muito e se tornar relevante, pede quase US$ 10B com receitas de ads, afinal, o Booking e o Expedia irão enxergá-lo como concorrente, e não mais como parceiro.

Para exemplificar esse investimento, algumas companhias aéreas já firmaram parceria com o Google e já é possível fazer todo o checkout dentro da plataforma do Google Flights, sem encaminhar para nenhum site de terceiro.

Ou seja, a tecnologia para verticalizar a entrega eles já possuem, agora é decisão de negócios para entender se vão brigar de frente com as OTAs e abrir mão das vultosas receitas com anúncios.

Para concluir, a economia de US$ 1B da Google com redução de viagens e reembolsos ainda é insuficiente para compensar a ausência de receita da empresa com o setor em 2020.

Para a Google, assim como para todo o mercado de turismo, a Covid-19 foi muito ruim.

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Marcelo Linhares
Marcelo Linhares é um dos fundadores da Onfly, possui mais de 10 anos de experiência em marketing digital e varejo omnichannel, nos últimos 2 anos estudou o mercado de viagens e percebeu que as agências tradicionais trabalhavam da mesma forma há 20 anos, e resolveu criar a Onfly para transformar este mercado. Ele está sempre disponível no e-mail marcelo@onfly.com.br

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