Entendo a Defis: o que é e quem deve entregar

A gestão financeira de uma empresa envolve diversas obrigações acessórias, e entre elas está a Defis — Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais.

Apesar de ser um documento essencial para empresas optantes pelo Simples Nacional, ainda gera muitas dúvidas entre os gestores financeiros, profissionais de RH e tomadores de decisão.

Neste post, vamos explicar de forma clara e direta o que é a Defis, quem precisa entregá-la, como funciona o processo e por que ela importa para sua empresa. Vamos lá?

O que é a Defis?

A Defis é uma obrigação acessória exigida pela Receita Federal para empresas optantes pelo Simples Nacional.

Ela substitui a antiga Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), sendo um instrumento para prestar contas sobre:

  • Informações econômicas e fiscais da empresa;
  • Quantidade de empregados ao longo do ano;
  • Rendimentos dos sócios;
  • Ganhos de capital, lucros e dividendos distribuídos.

Em outras palavras, é uma radiografia contábil e fiscal da empresa ao longo do ano-calendário.

Embora não gere imposto a pagar diretamente, ela é crucial para o cruzamento de dados pela Receita Federal, garantindo a transparência financeira e a fiscalização das empresas de menor porte.

O que abarca a Defis?

As informações que devem constar na Defis são bastante abrangentes e incluem:

  • Receita bruta total e por estado;
  • Ganhos de capital;
  • Quantidade de empregados no início e no fim do período;
  • Lucros distribuídos aos sócios;
  • Informações sobre pró-labore;
  • Dados dos sócios (CPF, participação societária, rendimentos);
  • Total de despesas;
  • Saldo em caixa e em banco no início e no final do período;
  • Total de aquisições, transferências e saída de mercadorias; e
  • Detalhes sobre prestação de serviços de transporte de carga interestadual e comunicação, se aplicável.

A declaração deve ser feita por meio do PGDAS-D (Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples Nacional – Declaratório), disponível no site do Simples Nacional.

Quem é obrigado a declarar Defis?

Toda empresa enquadrada no regime do Simples Nacional precisa entregar a Defis anualmente, mesmo que não tenha tido faturamento.

Apenas o MEI (Microempreendedor Individual) está dispensado, pois cumpre essa obrigação por meio da DASN-SIMEI.

Assim, precisam declarar a DEFIS:

  • Microempresas (ME);
  • Empresas de Pequeno Porte (EPP);
  • Empresas do Simples Nacional que estiveram ativas em qualquer período do ano-calendário;
  • Empresas inativas (aquelas que não tiveram faturamento no ano de exercício, mas cujo CNPJ ainda está ativo);
  • Empresas que encerraram suas atividades ou que migraram de regime durante o ano, devendo declarar o período em que estiveram no Simples Nacional.

Qual a diferença entre PGDAS e DEFIS?

Para empresas do Simples Nacional, o PGDAS-D e a DEFIS são duas obrigações distintas, mas complementares. A principal diferença entre elas reside na periodicidade e no propósito de cada uma.

PGDAS-D

O Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples Nacional – Declaratório é o sistema mensal que as empresas do Simples Nacional utilizam para:

  • Calcular os impostos devidos: com base no faturamento mensal da empresa, o PGDAS-D faz o cálculo unificado de todos os tributos abrangidos pelo Simples Nacional (IRPJ, CSLL, PIS/Pasep, Cofins, IPI, ICMS, ISS e INSS Patronal, dependendo da atividade);
  • Declarar o faturamento: a empresa informa sua receita bruta mensal e outras informações relevantes para a apuração dos impostos; e
  • Gerar o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional): após o cálculo, o sistema emite a guia única de pagamento, que vence todo dia 20 do mês seguinte ao da apuração.

Ou seja, o PGDAS-D é a ferramenta de apuração e recolhimento dos impostos mensais. É um processo contínuo que garante que a empresa pague seus tributos em dia.

Defis

A Defis, por sua vez, é uma declaração anual que também é enviada por meio do PGDAS-D, mas tem um propósito diferente:

  • Consolidar informações anuais: ela reúne um panorama mais completo da situação socioeconômica e fiscal da empresa durante todo o ano-calendário anterior;
  • Substituir o IRPJ para o Simples Nacional: a Defis funciona como a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica para as empresas enquadradas nesse regime; e
  • Fornecer dados para fiscalização: as informações detalhadas da Defis (como distribuição de lucros, quantidade de funcionários, saldos em caixa e banco etc.) são usadas pela Receita Federal para cruzamento de dados e fiscalização.

A Defis é uma obrigação acessória anual, com prazo de entrega geralmente até 31 de março do ano seguinte ao ano-calendário a que se refere.

CaracterísticaPGDAS-DDefis
PeriodicidadeMensalAnual
PropósitoCalcular e declarar o faturamento para gerar o DAS (guia de pagamento dos impostos)Informar dados socioeconômicos e fiscais anuais da empresa à Receita Federal
FunçãoFerramenta de apuração e recolhimento de tributosDeclaração consolidada de informações, substituta do IRPJ
Consequência da não entregaImpossibilidade de gerar o DAS, exclusão do Simples Nacional, CNPJ irregularNão há multa financeira direta, mas pode impedir a geração do DAS e levar à exclusão do Simples Nacional

Ambas são essenciais para a regularidade fiscal das empresas do Simples Nacional e são acessadas por meio do mesmo sistema no Portal do Simples Nacional.

A entrega da Defis, inclusive, é um pré-requisito para que as apurações mensais do PGDAS-D sejam liberadas no ano seguinte.

Qual o prazo de entrega?

A Defis deve ser entregue até 31 de março de cada ano, referente ao ano-calendário anterior. Por exemplo, a Defis de 2024 (referente ao exercício de 2023) teve como prazo final 31 de março de 2024. A entrega é feita por meio do PGDAS-D.

Tem multa se não entregar a Defis?

É importante ressaltar que, não há multa financeira direta por atraso na entrega da Defis. No entanto, o não envio ou o envio com dados inconsistentes pode gerar sérios problemas para a empresa, tais como:

  • Impossibilidade de gerar o DAS mensal, o que impede o pagamento dos impostos;
  • Exclusão do Simples Nacional;
  • CNPJ bloqueado ou considerado irregular; e
  • Dificuldades em operações de crédito e financiamentos.

Portanto, mesmo sem multa por atraso, a entrega correta e dentro do prazo é fundamental para manter a regularidade fiscal da empresa e evitar complicações futuras.

Por que a Defis é importante para a empresa?

  1. Regularidade fiscal: a não entrega da Defis pode impedir a geração do DAS e causar problemas com a Receita Federal;
  2. Transparência contábil: ajuda a manter os dados da empresa organizados e disponíveis para tomadas de decisão; e
  3. Evita penalidades: apesar de não haver multa automática pelo atraso, a omissão pode levar ao desenquadramento do Simples Nacional.

O papel do RH e do gestor financeiro na Defis

Embora a Defis seja tradicionalmente preenchida pela contabilidade, os dados inseridos dependem de informações vindas de diversas áreas — especialmente RH e financeiro. Exemplos:

  • O RH precisa informar o número de funcionários ativos em cada mês;
  • O financeiro fornece dados sobre receitas, despesas e distribuição de lucros.

Por isso, manter esses dados bem organizados ao longo do ano facilita (e muito!) a entrega da Defis.

Como a tecnologia pode ajudar

Ferramentas como a Onfly, que centralizam dados de despesas corporativas, viagens e reembolsos, ajudam a automatizar e organizar as informações financeiras da empresa. 

Isso não só melhora o controle de gastos como também facilita a preparação da Defis, reduzindo erros e retrabalho.

Defis na prática: mais do que cumprir obrigações, uma estratégia de gestão

A Defis é mais do que uma simples obrigação fiscal — é um reflexo da saúde financeira e organizacional da empresa. 

Para gestores financeiros, profissionais de RH e tomadores de decisão, entender seu funcionamento é essencial para manter a empresa em dia com o Fisco e otimizar os processos internos.

Se sua empresa está no Simples Nacional, converse com seu contador e garanta que a Defis esteja sendo entregue corretamente — e, claro, conte com soluções tecnológicas para tornar essa tarefa mais leve e segura.

Quer saber como a Onfly pode ajudar sua empresa a manter as finanças organizadas? Fale com a gente!

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Mérie Oliveira
Mérie Oliveira

Com mais de 16 anos de experiência em textos, acredito que minha expertise me permite navegar por diversos assuntos por ser curiosa, proativa e organizada.
Sou mestre em Estudos de Linguagens, licenciada em Letras Português/Inglês e Comunicóloga Institucional, e encontro nos textos um universo imenso, capaz de nos fazer aprender e ensinar.
Além disso, sou apaixonada por livros e viagens e estou aprendendo a amar esportes coletivos, como futebol e vôlei.